Agora é pra valer: o treinamento para a Meia Maratona do Rio começou. A planilha do mês de julho chegou toda turbinada; aumento no volume de treino, tiros de 2.000m pra cá, treino extra de domingo pra lá.... uma belezura, né? Pensei comigo "Essa meia tá no papo". Na prática a história foi outra... a primeira semana não foi moleza não.
Primeiro obstáculo: as chuvas. Quem mora em Recife sabe que o mês de julho é o mês das chuvas e que, por chuva entende-se horas e horas ininterruptas de pingos grossos caindo e transformando a cidade numa grande piscina. E eu tenho que dizer: não gosto de correr na chuva. Quando já estou na pista e começa a chover, termino o treino mesmo debaixo d'agua. Mas sair do conforto do meu lar para ir correr na chuva são outros 500... Conclusão: Quinta feira não fiz os tiros que estavam prescritos na planilha. E o pior: essas chuvas não vão acabar tão cedo.
Segundo obstáculo: correr sozinha. Sexta-feira calcei meu tênis e fui empolgadinha pro parque fazer os tiros de quinta feira. Sozinha, sem treinador animando, sem colegas pra correr junto, sem aguinha na recuperação. Consegui fazer 6 dos meus 8 tiros de 500 metros. Na raça. E lutando contra o meu diabinho que sussurava: "Ah, vamos pra casa! Semana que vem tem tiro de novo". Alguém tem alguma reza pra ter força de vontade por aí?
Terceiro obstáculo: domingo no parque. A confusão é um pouco menor do que a da música do Gilberto Gil, mas correr no parque da jaqueira aos domingos é um teste de paciência e resistência. Sem essas duas habilidades seria impossível correr desviando das crianças que atravessam a pista, ultrapassando os desavisados que caminham na área reservada para corrida, inspirando ora os nauseantes perfumes dos que foram passear, ora os cheiros deliciosos de pipoca quentinha e churros de chocolate. Não tem mais brincadeira...Ê, José!
Segunda-feira, 6 de Julho de 2009
Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
Segunda-feira, 15 de Junho de 2009
a melhor corrida
Com duas corridas de 10km no mesmo mês é inevitável que surjam comparações entre elas - e a pergunta que não quer calar é: qual foi a melhor? Essa é fácil! Sem dúvida foi a Corrida das Pontes. Quem leu o texto sobre a corrida do Bompreço deve estar pensando que finalmente fiz os 10km abaixo de uma hora ou pelo menos melhorei meu tempo. Na verdade não aconteceu nem uma coisa nem outra, e o mais impressionante é que isso não fez a menor falta. Eu não sou uma expert em corridas, essa foi apenas a minha segunda medalha, mas estou com uma leve desconfiança de que a qualidade de uma corrida não é medida pelo tempo que ela durou, mas por outros fatores para os quais ainda não inventaram um chip que mensure.
Apesar de mais uma vez ter chegado atrasada, sem tempo para aquecer e alongar apropriadamente, pelo menos dessa vez eu não perdi a largada. E isso faz muita diferença! Aqueles minutinhos de espera na concentração, a última conferida no nó do tênis, uns pulinhos para soltar a musculatura, as conversas com os conhecidos e até a vontade de fazer xixi bem na hora da largada são coisas que fazem parte do prazer de participar de uma corrida. Além disso, é na concentração que as pessoas vão se agrupando, ou por afinidade ou por objetivo - seja lá qual for o motivo, para correrem juntas. Na corrida do Bompreço cheguei 10 minutos após a largada e e corri os 10km praticamente sozinha. Faltou emoção... nossa, e como fez falta! Agora eu posso perceber a diferença; corrida boa é que te deixa arrepiado e com lágrima nos olhos.
Desde o início a corrida das Pontes me emocionou - sim, eu chorei quando olhei pra frente e vi a primeira das 8 pontes lotada de corredores. Eu me arrepiei quando passávamos pela segunda ponte e de lá podíamos ver os primeiros colocados atravessando a quarta ponte. As vezes inconscientemente diminuia o ritmo para admirar a imagem das pessoas correndo entre os prédios históricos. Um verdadeiro paradoxo tanto movimento em um lugar onde o tempo parece não passar. Corrida boa é a que te faz filosofar? Filosofar, pensar coisas boas, meditar ou qualquer outra coisa que não seja um pensamento sobre "estar correndo". Na corrida do Bompreço pensei demais sobre respiração, postura, passadas, ritmo e esqueci de olhar para o mar. Lição aprendida: é pra isso que servem os treinos.
Apesar da corrida ser considerado um esporte solitário, posso dizer que minha corrida não teria sido a mesma se tivesse corrido sozinha. Éramos simplesmente duas pessoas correndo lado a lado - ela com seu mp3 player e eu com meu silêncio, sem trocar nenhuma palavra, mas com corpos que falavam a mesma língua. Quando chegamos na marca dos 5km, apertamos as mãos e partimos para a metade restante de prova. Era o início de uma parceria. É muito bom correr com alguém que tem o mesmo ritmo que você, que não te atrasa nem te faz ficar esbaforida para não ficar pra trás.
Se os momentos que antecedem a largada contribuem para a qualidade de uma corrida, o que dizer então sobre o final? Terminar uma corrida com alegria, inteira, com energia para mais um km e dando uma acelerada nos últimos 500m é o "happy end" ideal. A cereja do bolo? Seu grupo ser patrocinado pela Adidas e você ganhar blusa, mochila, squeeze, toalha e muitos outros mimos entre uma massagem gratuita e um farto café da manhã. Alguém vai discordar de que 1h e 09 minutos é melhor que 1h e 07 minutos?
Apesar de mais uma vez ter chegado atrasada, sem tempo para aquecer e alongar apropriadamente, pelo menos dessa vez eu não perdi a largada. E isso faz muita diferença! Aqueles minutinhos de espera na concentração, a última conferida no nó do tênis, uns pulinhos para soltar a musculatura, as conversas com os conhecidos e até a vontade de fazer xixi bem na hora da largada são coisas que fazem parte do prazer de participar de uma corrida. Além disso, é na concentração que as pessoas vão se agrupando, ou por afinidade ou por objetivo - seja lá qual for o motivo, para correrem juntas. Na corrida do Bompreço cheguei 10 minutos após a largada e e corri os 10km praticamente sozinha. Faltou emoção... nossa, e como fez falta! Agora eu posso perceber a diferença; corrida boa é que te deixa arrepiado e com lágrima nos olhos.
Desde o início a corrida das Pontes me emocionou - sim, eu chorei quando olhei pra frente e vi a primeira das 8 pontes lotada de corredores. Eu me arrepiei quando passávamos pela segunda ponte e de lá podíamos ver os primeiros colocados atravessando a quarta ponte. As vezes inconscientemente diminuia o ritmo para admirar a imagem das pessoas correndo entre os prédios históricos. Um verdadeiro paradoxo tanto movimento em um lugar onde o tempo parece não passar. Corrida boa é a que te faz filosofar? Filosofar, pensar coisas boas, meditar ou qualquer outra coisa que não seja um pensamento sobre "estar correndo". Na corrida do Bompreço pensei demais sobre respiração, postura, passadas, ritmo e esqueci de olhar para o mar. Lição aprendida: é pra isso que servem os treinos.
Apesar da corrida ser considerado um esporte solitário, posso dizer que minha corrida não teria sido a mesma se tivesse corrido sozinha. Éramos simplesmente duas pessoas correndo lado a lado - ela com seu mp3 player e eu com meu silêncio, sem trocar nenhuma palavra, mas com corpos que falavam a mesma língua. Quando chegamos na marca dos 5km, apertamos as mãos e partimos para a metade restante de prova. Era o início de uma parceria. É muito bom correr com alguém que tem o mesmo ritmo que você, que não te atrasa nem te faz ficar esbaforida para não ficar pra trás.
Se os momentos que antecedem a largada contribuem para a qualidade de uma corrida, o que dizer então sobre o final? Terminar uma corrida com alegria, inteira, com energia para mais um km e dando uma acelerada nos últimos 500m é o "happy end" ideal. A cereja do bolo? Seu grupo ser patrocinado pela Adidas e você ganhar blusa, mochila, squeeze, toalha e muitos outros mimos entre uma massagem gratuita e um farto café da manhã. Alguém vai discordar de que 1h e 09 minutos é melhor que 1h e 07 minutos?
Domingo, 14 de Junho de 2009
Sexta-feira, 5 de Junho de 2009
7 minutos.
Ainda não foi dessa vez que fiz os 10km em menos de 1 hora. Domingo passado foi a minha primeira corrida oficial, com inscrição, kit e chip tudo nos conformes e eu terminei a prova em 1 hora e 7 minutos. Minha mãe me consolou dizendo: "Foi por pouco". Ela não sabe que 7 minutos também foi a diferença do meu tempo nessa prova e a primeira que participei [na pipoca!] há exatamente 9 meses. Nesse aspecto sim, ela tem razão, 7 minutos é pouco. Eu poderia ter baixado meu tempo muito mais do que isso, eu poderia estar correndo 10 km em pouco mais que 50 minutos, mas... sempre o mas... olhando para trás e analisando esses 9 meses de corrida eu reconheço que me dediquei pouco e cometi muitas falhas.
A mãe de todas as falhas é congênita, minha corrida nasceu com ela: a dependência do grupo de corrida. O fato de ter começado a correr com uma acessoria esportiva me ajudou muito; aprendi a importância de ter treinos diferenciados [até então nunca tinha nem ouvido falar em fartlek e progressivos!] e entendi que treinar é muito mais do que calçar um tênis e sair correndo por aí [apesar de ser isso também]. Ter alguém que fazia uma planilha mensal pra mim que ditava o volume e a intensidade da minha corrida era muito cômodo. Tudo que eu precisava fazer era correr três vezes por semana. Mas aí vem o problema. Eu me acostumei a só correr com o grupo, apesar de ter a planilha à disposição no meu email. Se por acaso eu não pudesse ir correr com o grupo, era um treino perdido, pois no dia seguinte eu não ia correr sozinha. E isso não aconteceu poucas vezes.
Treinar somente duas vezes por semana é inadmissível para quem quer melhorar seu tempo, seja qual for a distância. Esse foi o meu maior erro. Parar de treinar por mais de uma semana por causa de viagens e feriados foi outra falha que cometi algumas vezes. Toda vez que voltava para os treinos perdia pelo menos uma semana de treino para recuperar o condicionamento que tinha. Assim fica difícil evoluir. Todo mundo acha lindo quando você diz que corre, mas ninguém te apóia quando você diz que vai dormir mais cedo porque vai treinar na manhã seguinte. E a carne é fraca, né dona Aline? Aí lá vem as bebidas, as farras, os excessos, as farrapadas...
Depois dessa última corrida eu pensei muito nesses 9 meses que passaram, mas pensei mais ainda nos 3 mses que estão por vir. É esse o tempo que falta para a Meia Maratona do Rio de Janeiro. Me inscrevi para uma corrida de 21km quando mal consigo correr 13km. Louca? Eu? Imagina... A moral da história é que preciso mudar pra reverter esse quadro. E eu já comecei: no dia seguinte ao da corrida saí do meu grupo. Agora eu sou a minha própria treinadora. Sei que foi uma mudança arriscada, eu me conheço e sei o quanto sou preguiçosa e sem determinação, mas como diria Beck "I'm a driver, I'm a winner; things are gonna change I can feel it".
ps. Outro grande estímulo é que em setembro completo um ano de corrida. Tenho que comemorar em grande estilo, né?
A mãe de todas as falhas é congênita, minha corrida nasceu com ela: a dependência do grupo de corrida. O fato de ter começado a correr com uma acessoria esportiva me ajudou muito; aprendi a importância de ter treinos diferenciados [até então nunca tinha nem ouvido falar em fartlek e progressivos!] e entendi que treinar é muito mais do que calçar um tênis e sair correndo por aí [apesar de ser isso também]. Ter alguém que fazia uma planilha mensal pra mim que ditava o volume e a intensidade da minha corrida era muito cômodo. Tudo que eu precisava fazer era correr três vezes por semana. Mas aí vem o problema. Eu me acostumei a só correr com o grupo, apesar de ter a planilha à disposição no meu email. Se por acaso eu não pudesse ir correr com o grupo, era um treino perdido, pois no dia seguinte eu não ia correr sozinha. E isso não aconteceu poucas vezes.
Treinar somente duas vezes por semana é inadmissível para quem quer melhorar seu tempo, seja qual for a distância. Esse foi o meu maior erro. Parar de treinar por mais de uma semana por causa de viagens e feriados foi outra falha que cometi algumas vezes. Toda vez que voltava para os treinos perdia pelo menos uma semana de treino para recuperar o condicionamento que tinha. Assim fica difícil evoluir. Todo mundo acha lindo quando você diz que corre, mas ninguém te apóia quando você diz que vai dormir mais cedo porque vai treinar na manhã seguinte. E a carne é fraca, né dona Aline? Aí lá vem as bebidas, as farras, os excessos, as farrapadas...
Depois dessa última corrida eu pensei muito nesses 9 meses que passaram, mas pensei mais ainda nos 3 mses que estão por vir. É esse o tempo que falta para a Meia Maratona do Rio de Janeiro. Me inscrevi para uma corrida de 21km quando mal consigo correr 13km. Louca? Eu? Imagina... A moral da história é que preciso mudar pra reverter esse quadro. E eu já comecei: no dia seguinte ao da corrida saí do meu grupo. Agora eu sou a minha própria treinadora. Sei que foi uma mudança arriscada, eu me conheço e sei o quanto sou preguiçosa e sem determinação, mas como diria Beck "I'm a driver, I'm a winner; things are gonna change I can feel it".
ps. Outro grande estímulo é que em setembro completo um ano de corrida. Tenho que comemorar em grande estilo, né?
Domingo, 17 de Maio de 2009
encontros e desencontros - II
Já faz mais de quatro meses que o meu Ipod quebrou e eu continuo correndo, acredita? Quando soube que em um pouco mais que isso tu poderia não estar mais correndo, lembrei daquela tarde no Alto da Sé em que a gente trocou idéias sobre planilhas de treino e tu riu da minha cara porque eu não conseguia correr sem o ipod. Eu não tava brincando quando disse que interrompia meu treino quando a bateria do ipod acabava - eu juro que não conseguia correr nem mais 100 metros! É realmente uma piada, mas naquela hora eu não achei a menor graça.
Eu sorri mesmo foi quando tu resolveu me ensinar como fazer exercícios para correr melhor. Eu devia ter te filmado, meio bêbado, fazendo avanços e agachamentos entre as mesas. Mas eu sempre esqueço que não devo confiar na minha memória. [...] Em que eu devo confiar? Nós tínhamos feito uma promessa de correr a maratona de NYC em 2010 e eu me sinto incompreensivelmente traída porque não vamos sequer ter a chance de tentar. É uma grande ilusão fazer planos a longo prazo? [...]
Eu já nem lembro como foram os primeiros treinos sem ipod, se houve algum desconforto este já foi esquecido. É tão mais natural correr ouvindo o som das minhas passadas que eu não conseguiria determinar quando "descobri" a relação entre a percepção deste som e a qualidade dos treinos. Claro, agora eu também faço piada de quem é dependente de ipod. A gente poderia sorrir juntos agora. Eu queria muito sorrir contigo. Eu queria muito que tu estivesse aqui, porque quando tu foi embora só ficaram as memórias e os planos. Me desculpa por chorar. Eu definitivamente devia ter te filmado.
Eu sorri mesmo foi quando tu resolveu me ensinar como fazer exercícios para correr melhor. Eu devia ter te filmado, meio bêbado, fazendo avanços e agachamentos entre as mesas. Mas eu sempre esqueço que não devo confiar na minha memória. [...] Em que eu devo confiar? Nós tínhamos feito uma promessa de correr a maratona de NYC em 2010 e eu me sinto incompreensivelmente traída porque não vamos sequer ter a chance de tentar. É uma grande ilusão fazer planos a longo prazo? [...]
Eu já nem lembro como foram os primeiros treinos sem ipod, se houve algum desconforto este já foi esquecido. É tão mais natural correr ouvindo o som das minhas passadas que eu não conseguiria determinar quando "descobri" a relação entre a percepção deste som e a qualidade dos treinos. Claro, agora eu também faço piada de quem é dependente de ipod. A gente poderia sorrir juntos agora. Eu queria muito sorrir contigo. Eu queria muito que tu estivesse aqui, porque quando tu foi embora só ficaram as memórias e os planos. Me desculpa por chorar. Eu definitivamente devia ter te filmado.
Marcadores:
corrida,
encontros,
existirmos,
holy moment,
passado
Domingo, 26 de Abril de 2009
winter's love
para Igor
- O que tem pra comer aí?
- Confetti.
Eu fazia faculdade, não trabalhava e ainda não conhecia o Animal Collective.
Eu não faço mais faculdade, trabalho e fui ao show do Animal Collective.
É tão bom ver como as coisas mudam
É tão bom ver como as coisas não mudam.
- O que tem pra comer aí?
- Confetti.
Eu fazia faculdade, não trabalhava e ainda não conhecia o Animal Collective.
Eu não faço mais faculdade, trabalho e fui ao show do Animal Collective.
É tão bom ver como as coisas mudam
É tão bom ver como as coisas não mudam.
Assinar:
Postagens (Atom)
